ENTRE O SILÊNCIO E A PROTEÇÃO FORMAL: Violência simbólica, assimetrias de capital e os limites das medidas protetivas de urgência

Autores

  • FÁBIO ANDRÉ GUARAGNI Centro Universitário Unicuritiba Autor
  • LUIZ ANTONIO FERREIRA Universidade Federal do Paraná Autor
  • LARA HELENA LUIZA ZAMBÃO Centro Universitário Unicuritiba Autor

DOI:

https://doi.org/10.62248/adjq9768

Palavras-chave:

violência simbólica; violência doméstica; medidas protetivas de urgência; Lei Maria da Penha; Pierre Bourdieu.

Resumo

A Lei Maria da Penha consolidou instrumentos de prevenção e enfrentamento da violência doméstica e familiar, com foco na medida protetiva, mas apesar dos avanços normativos, parcela significativa das mulheres permanece distante dos canais oficiais de denúncia e proteção. O artigo investiga em que medida a violência simbólica, as assimetrias de capital e a percepção de insuficiência da resposta estatal contribuem para a não denúncia e limitam a efetividade concreta das medidas protetivas de urgência. A pesquisa adota como referencial teórico os conceitos de violência simbólica, dominação masculina, habitus e capitais econômico, social, cultural e simbólico, formulados pelo sociólogo Pierre Bourdieu. Quanto à metodologia, desenvolve-se pesquisa qualitativa, exploratória e descritiva, mediante revisão bibliográfica e análise documental de dados secundários produzidos pelo Instituto de Pesquisa DataSenado, pelo Observatório da Mulher contra a Violência, pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública e pelo Conselho Nacional de Justiça. Sustenta-se que o silêncio da mulher pode não traduzir consentimento, quando relacionado a condicionantes emocionais, familiares, econômicas, sociais e institucionais. Conclui-se que, sobretudo, a medida protetiva constitui instrumento jurídico indispensável, mas sua concessão formal não elimina, isoladamente, os desequilíbrios de poder e de recursos existentes entre vítima e agressor, exigindo atuação estatal integrada, fiscalização efetiva e políticas que ampliem as condições materiais e sociais de ruptura com a violência.

Biografia do Autor

  • FÁBIO ANDRÉ GUARAGNI , Centro Universitário Unicuritiba

    Procurador de Justiça do Ministério Público do Paraná. Professor do PPGD Unicuritiba.

  • LUIZ ANTONIO FERREIRA , Universidade Federal do Paraná

    Mestrando em Direito pela Universidade Federal do Paraná. Coordenador de Inovação da Escola Judicial do Paraná.

  • LARA HELENA LUIZA ZAMBÃO, Centro Universitário Unicuritiba

    LARA HELENA LUIZA ZAMBÃO- Doutoranda e Mestre em Direito Empresarial e Cidadania pelo Centro Universitário Unicuritiba. Assessora no Tribunal de Justiça do Paraná. 

Referências

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Publicado

28.07.2026

Como Citar

GUARAGNI , FÁBIO ANDRÉ; FERREIRA , LUIZ ANTONIO; ZAMBÃO, LARA HELENA LUIZA. ENTRE O SILÊNCIO E A PROTEÇÃO FORMAL: Violência simbólica, assimetrias de capital e os limites das medidas protetivas de urgência. REVISTA JURÍDICA GRALHA AZUL - TJPR, [S. l.], v. 1, n. 36, 2026. DOI: 10.62248/adjq9768. Disponível em: https://revista.tjpr.jus.br/gralhaazul/article/view/436.. Acesso em: 29 jul. 2026.