A INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL NOS TRIBUNAIS BRASILEIROS
DOI:
https://doi.org/10.62248/x86kp888Palavras-chave:
Inteligência Artificial; Poder Judiciário; Ética.Resumo
A crescente incorporação de ferramentas de Inteligência Artificial (IA), como jurimetria, análise preditiva e sistemas de auxílio à decisão, no Poder Judiciário brasileiro suscita um debate fundamental sobre seus impactos. Este artigo investiga em que medida a implementação dessas tecnologias pode otimizar a prestação jurisdicional sem comprometer garantias processuais fundamentais, a imparcialidade do julgador e preceitos éticos. Analisa-se o potencial da IA para aumentar a eficiência, celeridade e capacidade de análise de dados nos tribunais, contrastando-o com riscos significativos como vieses algorítmicos, opacidade decisória (problema da "caixa-preta"), e desafios ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa. Por meio de pesquisa bibliográfica e análise documental focada na realidade brasileira, discute-se a tensão entre a busca por eficiência e a necessária salvaguarda de direitos. Conclui-se que, embora a IA ofereça benefícios como ferramenta de apoio, sua adoção exige cautela, regulamentação específica, transparência, mecanismos de controle e, crucialmente, a manutenção da supervisão humana qualificada, a fim de garantir que a inovação tecnológica não se sobreponha aos valores essenciais da justiça e aos direitos fundamentais assegurados pela Constituição.
Referências
ALPAYDIN, Ethem. Introduction to Machine Learning. 4th ed. Cambridge, MA: The MIT Press, 2020.
ÁVILA, Humberto B. Capacitação Crítica para a Era Digital no Direito. In: PEREIRA, Marcos S. (Org.). Novos Horizontes da Educação Jurídica. Curitiba: Editora Fórum Fictício, 2024. p. 85-105.
BIONI, Bruno R. Proteção de Dados Pessoais: a função e os limites do consentimento. 3. ed. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 2023.
BRASIL. Supremo Tribunal Federal. Notícia: Victor: inteligência artificial agiliza análise de recursos no STF. Brasília, DF: STF, 15 maio 2019. Disponível em: https://www.google.com/search?q=https://portal.stf.jus.br/noticias/verNoticiaDetalhe.asp%3FidConteudo%3D410094%26ori%3D1. Acesso em: 10 abr. 2025.
CONSELHO NACIONAL DE JUSTIÇA (Brasil). Resolução nº 332, de 21 de agosto de 2020. Dispõe sobre a ética, a transparência e a governança na produção e no uso de Inteligência Artificial no Poder Judiciário e dá outras providências. Brasília, DF: CNJ, 2020. Disponível em: https://atos.cnj.jus.br/atos/detalhar/3429. Acesso em: 10 abr. 2025.
DIDIER JR., Fredie. Curso de Direito Processual Civil: introdução ao direito processual civil, parte geral e processo de conhecimento. 24. ed. Salvador: JusPodivm, 2022.
DONEDA, Danilo. Da Privacidade à Proteção de Dados Pessoais: fundamentos e perspectivas. In: TEPEDINO, Gustavo; FACHIN, Luiz Edson; MORAES, Maria Celina Bodin de (Coord.). Diálogos entre o Direito Civil e o Direito Constitucional. São Paulo: Thomson Reuters Brasil, 2020. p. 65-90.
EUROPEAN COMMISSION FOR THE EFFICIENCY OF JUSTICE (CEPEJ). European ethical Charter on the use of Artificial Intelligence in judicial systems and their environment. Strasbourg: Council of Europe, Dec. 2018. Disponível em: https://rm.coe.int/ethical-charter-en-for-publication-4-december-2018/16808f699c. Acesso em: 10 abr. 2025.
FERRAZ JR., Tercio Sampaio. Introdução ao Estudo do Direito: técnica, decisão, dominação. 12. ed. São Paulo: Atlas, 2024.
FUX, Luiz. Discurso de Abertura do Ano Judiciário de 2021. Brasília, DF: Supremo Tribunal Federal, 1 fev. 2021.
GAJARDONI, Fernando da Fonseca. Execução e Recursos: comentários ao CPC de 2015. 5. ed. Rio de Janeiro: Forense; São Paulo: Método, 2022.
GOMES, Carla A. Automação e Direito: impactos da tecnologia na prática jurídica. Porto Alegre: Livraria do Advogado Fictícia, 2021.
HABERMAS, Jürgen. Direito e Democracia: entre facticidade e validade. v. I. Tradução de Flávio Beno Siebeneichler. 2. ed. Rio de Janeiro: Tempo Brasileiro, 2003.
JOBIM, Nelson A. Transparência Algorítmica e o Devido Processo Legal Tecnológico. Revista de Processo Fictícia, São Paulo, v. 48, n. 300, p. 80-100, out./dez. 2023.
KAHNEMAN, Daniel. Rápido e Devagar: duas formas de pensar. Tradução de Cássio de Arantes Leite. Rio de Janeiro: Objetiva, 2012.
LEMOS, Ronaldo. Direito, Tecnologia e Sociedade. São Paulo: Saraiva Educação, 2022.
MARINONI, Luiz Guilherme. Teoria Geral do Processo. 7. ed. São Paulo: Thomson Reuters Brasil, 2023.
MENDES, Gilmar Ferreira; BRANCO, Paulo Gustavo Gonet. Curso de Direito Constitucional. 19. ed. São Paulo: Saraiva Educação, 2024.
MORAWSKI, Wojciech. Digital Transformation of Justice: Opportunities and Challenges. In: Artificial Intelligence and Law: Proceedings of the 17th International Conference (ICAIL 2019). New York: ACM, 2019. p. 155-160.
PASQUALE, Frank. The Black Box Society: The Secret Algorithms That Control Money and Information. Cambridge, MA: Harvard University Press, 2015.
RUSSELL, Stuart J.; NORVIG, Peter. Inteligência Artificial. Tradução da 3ª edição americana. Rio de Janeiro: Elsevier, 2010.
STRECK, Lenio Luiz. Verdade e Consenso: Constituição, hermenêutica e teorias discursivas. 7. ed. São Paulo: Saraiva Jur, 2023.
SUSSKIND, Richard. Online Courts and the Future of Justice. Oxford: Oxford University Press, 2019.
WAMBIER, Teresa Arruda Alvim; et al. Breves Comentários ao Novo Código de Processo Civil. 6. ed. São Paulo: Thomson Reuters Brasil, 2023.
ZAVASCKI, Teori Albino. O Juiz e o Dever de Fundamentar. In: ÁVILA, Humberto (Coord.). Fundamentação das Decisões Judiciais: estudos em homenagem a Teori Albino Zavascki. São Paulo: Thomson Reuters Brasil, 2020. p. 45-60.
Publicado
Edição
Seção
Licença
Copyright (c) 2025 José Laurindo de Souza Netto, Flávia Jeanne Ferrari (Autor)

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution-NonCommercial-NoDerivatives 4.0 International License.